Na espera para ser privatizado, Correios tem lucro de R$ 1,5 bilhões

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MAILS: O Estado ainda deve 2,5 bilhões de reais por danos, mas fechou os últimos dois anos em Divulgação Azul (Correclos/Divulgação)

Correios teve um lucro líquido de R$ 1,53 bilhões em 2020, o melhor resultado em pelo menos uma década. Os dados, ainda não publicados oficialmente pela empresa, foram enviados pelo presidente do estado, Floriano Peixoto Vieira Neto, para o Ministério da Economia.

No documento, obtido pelo Estadão / Broadcast, ele frisa que o desempenho “garante à empresa uma sólida imagem institucional” e o deixa “em condições bastante favoráveis no contexto dos estudos de destação que são realizados a seu respeito”.

O presidente Jair Bolsonaro entregou o projeto de lei de privatização postal ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em 24 de fevereiro. No dia 20 de abril, os deputados aprovaram a moção de urgência para a proposta, que permite a sua base em qualquer momento da Câmara.

O texto não menciona qual será o modelo de privatização, mas abre caminho para a venda dos Correios ao divulgar o funcionamento de serviços que hoje são monopólio da União.

Desde 2010, os Correios registraram um lucro de mais de R$ 1 bilhão em 2012 sozinhos (R$ 1,113 bilhões). Entre 2013 e 2016, a estatal acumulou um prejuízo de R$ 3,943 milhões, resultante de problemas de gestão e de provisões para lidar com o rompimento nos planos de previdência (Postal) e saúde (Saúde Postal) dos funcionários. Ambos já foram alvo de denúncias de corrupção. O Postalis acumula quatro operações da Polícia Federal: Posotus, Greenfield, Pausare e Rizoma, que investigou fraudes em gestão de recursos.

A partir de 2017, a empresa começou a reverter os danos, mas o melhor desempenho em 2020 veio na esteira da expansão do modo de e-commerce que tinha aumentado a demanda com a pandemia de covid-19 e o maior número de pessoas em trabalho remoto. De acordo com o ofício enviado ao Ministério da Economia, a receita com encomendas manteve o planalto de crescimento, alta de 9% em relação a 2019. As receitas internacionais, por sua vez, ultrapassaram R$ 1,2 bilhões, um valor nunca registrado até então, de acordo com o Estado.

Com o resultado positivo, o patrimônio líquido da empresa cresceu 84% sobre 2019 milhões, somando R$ 950 milhões

Comissão Especial

Na tentativa de evitar que o projeto tenha lugar nas comissões permanentes, onde a oposição tem mais força, o presidente da Câmara determinou a criação de uma comissão especial para apreciar o assunto. A Comissão não foi formalmente instalada, mas o ato permite um maior controle sobre o debate ao relator, Gil Cutrim (Republicans-MA). Pelo contrário, a proposta será discutida em cada uma das comissões temáticas e teria relatores diferentes. Em muitas delas, o governo já vem perdendo terreno na discussão nos Correios.

Cutrim afirmou que o projeto ainda está em fase de debate e não há prazo para trazer o projeto de lei para a votação. “É um assunto que precisa ser amplamente discutido”, disse ele.

Já o secretário de Comunicação da Federação Nacional dos Correios (Fentect), Emerson Marinho, afirma que o resultado mostra a “alta capacidade” do Estado em manter o atendimento à população mesmo em um ano de pandemia. Quanto à privatização, ele vê o desempenho como prova de que não há “argumento sólido” para vender a empresa. “Nenhum empreendedor vende qualquer coisa que dê um benefício, pelo contrário, investe mais para dar mais benefícios.”

Fonte: Exame

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