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O que são dividendos e como funciona sua distribuição?

A distribuição de dividendos por uma empresa listada na bolsa de valores pode gerar muitas dúvidas aos investidores. Há percentuais mínimos de distribuição de lucros pelas empresas listadas em bolsa e algumas empresas possuem como norma da companhia a distribuição de um percentual ainda maior dos lucros.

Além disso, o investimento com foco em dividendos também pode ser uma estratégia interessante, especialmente para quem é iniciante no mercado financeiro. Nesse sentido, é importante compreender bem como funcionam esses fluxos e como calcular se uma empresa tem bons indicadores de dividendos.

O que são dividendos?

O que sao dividendos

Dividendos são o montante pago pelas empresas de capital aberto a seus acionistas. Esses valores correspondem a uma parte do lucro que a empresa teve em determinado período de tempo.

Nesse sentido, é importante lembrar que quando se compra uma ação o investidor está se tornando sócio da empresa. Portanto, os dividendos são a parte do lucro da empresa a que cada acionista tem direito.

As empresas que são listadas na bolsa de valores brasileira, a B3, são obrigadas a distribuir no mínimo 25% do seu lucro líquido a seus acionistas. Algumas empresas a depender do setor e das regras internas de governança distribuem percentuais ainda maiores do lucro auferido.

Além da distribuição por intermédio dos dividendos, as empresas também podem distribuir seus lucros como Juros sobre Capital Próprio (JCP). A principal diferença entre as duas formas de distribuição de lucros, é que no caso da distribuição como JCP, esse movimento é considerado uma despesa para a empresa.

Essa diferenciação ocorre porque o JCP é descontado no balanço da empresa antes do lucro líquido. Dessa forma, a empresa acaba obtendo um vantagem do ponto de vista fiscal.

Como ocorrem os pagamentos?

Para executar sua distribuição, a companhia precisa cumprir algumas etapas para realizar os pagamentos. A primeira é delas é aprovar sua distribuição pelo Conselho de Administração da companhia e obtendo essa aprovação informar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a distribuição.

Esse aviso à CVM é importante para que todos os agentes do mercado tenham essa informação e saibam as datas em que a ação irá ficar ex-date e quando os dividendos serão creditados nas contas dos acionistas.

Nesse comunicado a empresa divulgará também qual o valor que ela irá pagar por ação a título de dividendos. Dessa forma, caso a empresa informe que irá distribuir R$ 1,00 por ação em forma de dividendos e o investidor possua 100 ações dessa empresa, ele irá receber o valor de R$ 100,00 na sua conta corrente.

Há tributação para dividendos?

Uma de suas principais vantagens é que esses são isentos de imposto de renda no Brasil. Ou seja, o investidor receberá a totalidade dos proventos distribuídos pelas empresas da qual ele possui ações.

Essa é inclusive uma vantagem do investimento com foco em dividendos, visto que quem opera com viés de trader, especialmente para quem investe com a estratégia de day trade, deve sempre recolher imposto de renda relacionado à variação positiva no preço ação. No caso do swing trade, a incidência de IR depende do volume que você negociar, vendas abaixo de R$ 20.000,00 dentro do mesmo mês são isentas desse imposto.

Com qual periodicidade as empresas pagam dividendos?

A periodicidade dos fluxos de dividendos de cada empresa pode variar muito. O setor bancário, por exemplo, costuma fazer sua distribuição de forma dividida ao longo do ano. Ao passo que empresas de outros setores tendem a distribuir proventos uma ou duas vezes por ano, a depender do seu fluxo de caixa.

No caso dos fundos imobiliários, os dividendos costumam ser distribuídos mensalmente, portanto, com relação ao fluxo de pagamentos esses ativos são mais previsíveis que ações, por exemplo.

Com relação aos ETFs, mesmo aqueles destinados a investir com foco em dividendos, esses não os distribuem diretamente. Eles recebem os dividendos das empresas e reinvestem esses proventos, ou seja, eles não repassam para os cotistas. Esse é o procedimento tradicional para qualquer fundo de investimento, sendo a exceção os fundos imobiliários.

O que é ex-date?

Um termo muito comum em relação aos dividendos é o ex-date ou data ex-dividendo. Essa data é a última data em que o detentor da ação possui o direito a receber dividendos. Vamos utilizar um exemplo para ficar mais simples a compreensão.

Suponha que você possui 100 ações de PETR4 e vendeu essas ações no dia 7 de agosto. Todavia, a companhia anunciou no dia 8 de agosto que a data ex-dividendo é o dia 6 de agosto. Dessa forma, quem irá receber os dividendos é você e não o investidor que comprou suas ações, porque no ex-date você era o detentor das ações.

Em geral, o ex-date são dois dias úteis antes da empresa divulgar a informação sobre a distribuição de dividendos, mas essa data pode variar a depender da modalidade de pagamento dos dividendos.

Investir com foco em dividendos

O investimento com foco em dividendos é uma estratégia de investimento bastante utilizada no mundo inteiro. No Brasil, essa estratégia ganhou ainda mais adeptos após as quedas sucessivas da taxa Selic, o que tornou esse tipo de investimento ainda mais atrativo quando comparado à aplicações de renda fixa.

Contudo, apesar das empresas serem obrigadas a seguirem algumas regras que a CVM determina, a distribuição de dividendos varia bastante de uma empresa para outra. Afinal, uma empresa não necessariamente irá auferir lucros durante um ano, portanto, para essa estratégia ser eficiente é importante investir em empresas com bons fundamentos.

Dividend yield

Analisar o dividend yield é a principal medida para saber se uma empresa é uma boa pagadora de dividendos. O cálculo do dividend yield é uma conta simples, basta dividir o valor pago em dividendos por ação pela cotação da ação. Essa equação ficaria da seguinte forma:

  • Dividend yield  = Dividendos pago por ação / preço da ação

Em geral, costuma-se anualizar essa análise, visto que dessa forma fica mais fácil estabelecer uma base de comparação com outros tipos de aplicações. Dessa forma, caso você compre uma ação por R$ 10 e ao longo do ano você recebeu R$ 1 de dividendos por essa ação, o dividend yield dessa ação é de 10%.

Vale lembrar que para análise do dividend yield das companhia, é recomendável analisar o dividend yield médio de um período um pouco mais longo. Essa forma de análise é mais segura há empresas que podem ter auferido um lucro extraordinário em um ano específico e isso gerou uma distribuição maior de dividendos.

Todavia, ao longo dos anos o dividend yield dessa empresa é menor. Portanto, no caso do investimento em dividendos, a estabilidade da companhia e o fluxo contínuo de pagamento de proventos é um indicador importante para você levar em conta.

Quais empresas são boas pagadoras de dividendos?

Alguns setores de atividade econômica tradicionalmente distribuem mais dividendos que outros. No Brasil, é possível destacar os setores de energia elétrica, saneamento básico e o setor financeiro.

Dessa forma, grandes empresas desses setores, como Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Sanepar, Sabesp, Engie, Taesa, Cemig, entre outras são empresas reconhecidas no mercado como boas pagadoras de dividendos.

Em geral, os setores de energia elétrica e saneamento são empresas estáveis com fluxos constantes já que que prestam serviços básicos para a população. Dessa forma, mesmo em períodos de crise, essas empresas serão as menos afetadas pela recessão. Esses aspectos facilitam para que essas empresas sejam tradicionalmente boas pagadoras de dividendos.

O setor financeiro, por sua vez, também é visto como um setor perene, ou seja, de longa durabilidade e estabilidade. Apesar de ser um setor que pode oscilar mais que os setores de energia e saneamento, o setor financeiro também possui uma estabilidade considerável e regras rígidas para distribuição de lucros.

Apesar desses setores serem os que mais chamam a atenção com relação aos dividendos, outros setores como construção civil, varejo e mineração também possuem empresas boas pagadoras de dividendos. Dessa forma, é inclusive possível diversificar os investimentos em dividendos, investindo em empresas de diferentes setores.

Apesar desses setores terem certa estabilidade, é importante lembrar que você deve analisar cada empresa individualmente. Nesse sentido, vale sempre a indicação que você realize a análise fundamentalista e caso seja da preferência do investidor, buscar pelos serviços de um assessor de investimentos.

Índice de dividendos

Uma boa forma de saber quais empresas possuem bom histórico de pagamento de dividendos é consultar o índice IDIV da B3. Esse índice da bolsa brasileira lista as principais empresas com bom histórico de pagamento de dividendos.

Apesar da composição desse índice ser com empresas com muita estabilidade, há alterações periódicas na composição do índice. Nesse sentido, é importante sempre acompanhar a composição, especialmente no caso da realização de investimentos que estejam diretamente atrelados a esse índice.

ETF de dividendos

divo11 replica o idiv

Além da possibilidade de investir diretamente em dividendos, há outras forma de investir no mercado de renda variável com esse foco. A mais simples delas é investir em ETF de dividendos. Na bolsa brasileira existem dois ETFs desse time, o DIVO11 e o BBSD11.

Os ETFs são fundos de investimento de índice, ou seja, o objetivo desses fundos é basicamente acompanhar a rentabilidade um determinado índice. No caso do DIVO11, esse ETF acompanha a rentabilidade do IDIV, índice de dividendos da B3.

No caso do BBSD11 o índice de referência desse ETF é o S&P Dividendos Brasil. Esse índice quem faz é a agência de risco S&P dos Estados Unidos para as ações brasileira que são boas pagadoras de dividendos.

Apesar desse índice se parecer com o IDIV, ele possui algumas regras diferentes para determinar sua composição, como por exemplo, limite percentual para um setor específico. Essas regras diferentes fazem com que esse índice tenha diferenças para o índice feito pela bolsa brasileira.

Como apontado acima, apesar desses ETF’s focarem em empresas boas pagadoras de dividendos, esses proventos não se depositarão diretamente na conta dos cotistas. Esses fundos de índice recebem os dividendos e automaticamente o investem de forma a manter a mesma alocação de ações.

Fundos imobiliários e distribuição de dividendos

No tocante à distribuição de dividendos, os fundos imobiliários sem dúvidas são ativos que devem se levar em conta nesse tipo de análise. Esses ativos são conhecidos por terem uma distribuição contínua e mensal de dividendos, isso ocorre porque a renda desse tipo de fundo é proveniente de alugueis dos imóveis, ou seja, possui fluxo mensal.

Em geral, os prospectos desses fundos já preveem inclusive qual a expectativa para o dividend yield que os cotistas irão receber ao longo do tempo. Essa é uma análise importante para se fazer antes de comprar esse tipo de ativo, visto que a principal forma de remuneração desses fundos é por intermédio dos dividendos.

Assim como as ações o fundos imobiliários possuem setores variados de investimento. Ou seja, eles investem em imóveis que pode ser residenciais, comerciais e até mesmo relacionados à escolas ou hospitais. Nesse sentido, os fluxos e o dividend yield pode variar de setor para setor dentro do mercado de FIIs.

Apesar de serem negociados diretamente no homebroker das corretoras de valores, os fundos imobiliários são ativos de renda fixa e possuem uma estabilidade razoável. Nesse sentido, esses ativos se encaixam nos mais variados perfis de investidor dentro do mercado, sendo sugerido inclusive para investidores que são avessos ao risco.

É possível investir no exterior com foco em dividendos?

O investimento com foco em dividendos é comum também em mercados financeiros mais desenvolvidos, como os dos Estados Unidos. A principal diferença é que no mercado desse país as empresas que figuram entre as maiores pagadoras de dividendos tem uma diversificação maior por setores.

Por exemplo, no mercado financeiro americano, as principais empresas com relação ao dividend yield em 2019, foram a AT &T (Telecomunicações) People’s United (Setor Financeiro) e Wallgreens (Rede de farmácias). Como é possível visualizar, há empresas de setores variados boas pagadoras de dividendos.

Há diferentes formas dos investidores brasileiros investirem nesse mercado, uma delas é a abertura de uma conta em uma corretora de valores no exterior e comprar essas ações diretamente.

Todavia, a forma mais fácil de adquirir ações estrangeiras por brasileiros é a compra de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) diretamente na bolsa de valores brasileira. A partir da mudança da legislação em setembro de 2020, qualquer investidor pode adquirir esse tipo de ativo, antes da alteração apenas investidores qualificados (com patrimônio superior a 1 milhão) podiam comprar BDRs.

Imposto de renda sobre dividendos

Todavia, um ponto para ficar atento com relação a investimentos no exterior com foco em dividendos é que diferente do Brasil, onde os dividendos são isentos de imposto de renda, a maior parte dos países tributa esses rendimentos, inclusive nos Estados Unidos. Nesse país, a alíquota de imposto de renda sobre dividendos é de 30%.

Esse imposto de renda é retido diretamente na fonte, portanto, os investidores não precisam recolher esse imposto. O valor referente a dividendos dessas ações que se depositará na conta do investidor será o valor líquido. Ou seja, caso o investidor receba R$ 100,00 de dividendos, o valor que será creditado na conta será o valor de R$ 70,00, visto o desconto de 30% de IR.

ETFs de dividendos no exterior

As opções de investimento em ETF de dividendos no exterior são ainda maiores em comparação com o mercado financeiro brasileiro. Na bolsa americana, por exemplo, é possível encontrar ETF de dividendos relacionados às empresas listadas nos Estados Unidos mas também ETFs que acompanham boas pagadoras de dividendos em outros mercados. Dessa forma, essa é uma modalidade de investimento muito comum no mercado externo. Nesse sentido, caso o investidor tenha intenção de investir diretamente no exterior, uma forma mais conservadora de iniciar esses investimentos é justamente por intermédio desse tipo de ativos, visto que em geral, eles possuem baixos custos operacionais e tem uma rentabilidade mais estável.

É possível viver de renda com dividendos?

viver de renda de dividendos

Uma dúvida comum entre investidores é se é possível viver apenas com os rendimentos oriundos de dividendos de ações. A resposta dessa pergunta depende bastante de quanto cada pessoa possui disponível para investir e quanto ela necessita para suprir suas necessidades.

Há grandes investidores que alocam praticamente todo o seu capital em ações que sejam boas pagadoras de dividendos. Em geral, o racional desses investidores é que essas ações sempre renderão uma rentabilidade média maior no longo prazo. Além disso, o fato delas distribuírem dividendos com regularidade é um fator que colabora tanto para a renda do investidor quanto para o aumento do capital investido.

Contudo, para além dessas especificidades de cada pessoa, para ter renda constante a partir de dividendos é importante analisar bem para a escolher as ações certa em relação aos seus proventos. Nesse sentido, uma das recomendações mais importantes é a diversificação da carteira de ações.

É importante realizar essa divisão da carteira tanto em empresas quanto por setores para minimizar os riscos de imprevistos com alguma empresa ou setor. Por exemplo, imagine que o investidor concentre todas as suas aplicações em ações do setor financeiro.

Contudo, uma alteração na legislação ou algum aspecto econômico gera uma queda substancial nos lucros dos bancos brasileiros. Nesse caso, o investidor terá uma queda abrupta nos proventos recebidos e tende a ter problemas de fluxo de caixa, caso ele dependa dos dividendos para as suas despesas.

Considerações finais

Investir com foco em dividendos é uma estratégia interessante e que se realizada de forma adequada pode gerar bons rendimentos e por longo período de tempo. Essa alternativa é vantajosa especialmente em momentos de taxa de juros baixa.

Todavia, tal qual outros investimentos no mercado de renda variável é necessário ter atenção e estudar bem as ações que você for comprar. Apesar do investimento com foco em dividendos ser mais estável que outras estratégias como swing trade e day trade, essa opção não é isenta de riscos para o investidor.

Nossa indicação é estar coberto por uma Assessoria de Investimentos, na qual fará um estudo completo do seu perfil e objetivos. O Assessor conhecendo exatamente seu perfil e sabendo o que você pretende com o seu dinheiro no futuro, poderá te instruir de forma exclusiva quanto a sua estratégia.

Por James Grenfell (Green)

Desde os 18 anos de idade vem trabalhando no meio de investidores na Bolsa de Valores, e com isso adquiriu muito conhecimento com a convivência. Hoje James Green tem 32 anos, é investidor, colunista em portais econômicos e possui seu próprio canal no YouTube, onde passa seu conhecimento para o máximo de pessoas possível. INSTAGRAM: @jamesgreenoriginal FACEBOOK: @jamesgreenoficial YOUTUBE: /jamesgreenoriginal

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